segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Liga da Justiça: O Prego




O prego na cada da edição parece mesmo ter sido fincado sobre os personagens

Imagem: http://www.omelete.com.br/imagens/quadrinhos/news/mythos/prego.jpg


“O Superman é o maior super-herói de todos os tempos”
. Essa máxima é proferida por diversas vozes ao redor do globo. No Universo DC (composto de personagens da editora do último filho de Krypton), isso é uma verdade incontestável. Mas como medir a influência de tal personagem sobre seus companheiros e mais terríveis inimigos? Como quantificar a força desse ícone? O roteirista e desenhista Alan Davis resolve fazer isso de uma forma bem simples: retirando o Homem de Aço de seu universo. Ou seja, como seria o Universo DC sem o Superman? E isso é feito com o auxílio de apenas um prego.

Por falta de um prego, perdeu-se uma ferradura.
Por falta de uma ferradura, perdeu-se um cavalo.
Por falta de um cavalo, perdeu-se um cavaleiro.
Por falta de um cavaleiro, perdeu-se uma batalha.

E assim um reino foi perdido.

Tudo por falta de um prego.


Baseado nesta livre adaptação de um poema de George Herbert, de 1651, Alan Davis nos permite vislumbrar um fato curioso: por causa de um prego que furou o pneu da camionete dos Kent, estes jamais encontram o jovem Kal-el quanto este chega das estrelas, jamais o criaram e ele não se tornou o Superman. Pois bem, voltando a pergunta inicial, como é o Universo DC sem o Homem de Aço?

Lex Luthor é o prefeito reeleito de Metrópolis e, sem dúvida, o empresário mais poderoso do mundo. A população e a mídia são apenas ouvidos ao que o magnata tem a dizer. Inclusive quando incita o ódio dos seres humanos aos bizarros meta-humanos que garantem querer nos proteger. Neste cenário, a humanidade não possui tanto apreço por seus heróis e a Liga da Justiça é mal-vista pelo mundo como um sinistro grupo de extraterrestres que conspiram para nos dominar.

Para piorar a situação, os membros da Liga suspeitam que alguém muito poderoso e com recursos tecnológicos de ponta está fomentando ainda mais o temor da população para odiar ainda mais os extraterrestres e meta-humanos criando uma distração que o permitirá dominar o planeta. Quando os números de suspeitos começam a cair, cada vez mais nos perguntamos o que terá acontecido com o bebê que poderia ter se tornado o Superman e se não é ele o grande vilão da trama.

A história respeita todos os outros grande ícones da DC e é perceptível como personagens como Flash, Lanterna Verde e Mulher-Maravilha ganham destaque quando não são ofuscados pelo brilho do Homem de Aço. Porém, também nota-se como a falta da influência do último filho de Krypton afeta os personagens. O Batman, por exemplo, é ainda mais sombrio e entra em depressão quando algumas de suas decisões resultam em tragédia. Enquanto a Mulher-Maravilha é mais descrente quanto ao seu papel de embaixadora da Paz.

Outro aspecto interessante da trama são as homenagens sutis de Davis à Liga da Justiça. Já não bastasse retratar os integrantes da Liga com precisão, Alan Davis nos brinda com páginas que homenageiam cada membro da Liga a cada 5 ou 10 páginas. Sempre em uma página par. Uma página com mostra apenas um momento de uma cena cinematográfica. Seja o Batman lutando contra o Coringa nos telhados do Asilo Arkhan ou o Flash usando todos os seus conhecimentos em supervelocidade para deter o andróide Amazo.

A arte de Davis dá um impressionante ar de heroísmo ao maior de todos os Lanternas Verdes, Hal Jordan, um ar de realeza ao Aquaman e sua Mulher-Maravilha é fabulosa. Isso sem mencionar sua narrativa visual que mescla texto e imagem num casamento perfeito. Cansado daqueles balões que sempre ficam sobre o rosto dos personagens enquanto eles falam por falta de planejamento do desenhista? Confira esta história.

Uma premissa simples. Uma narrativa envolvente. Uma história como poucos que mostram como a ausência de uma pessoa pode fazer toda uma diferença. A história não deixa pontas soltas para uma continuação. No entanto, O Prego (publicado pela Mythos Editora), possui uma seqüência intitulada Outro Prego que foi lançada pela Panini Comics em fevereiro de 2005. Aguardo uma boa história, entretanto, duvido muito que seja superior ou mesmo que atinja o nível de qualidade da trama original.

Texto originalmente publicado no site Raciocínio Rápido.

Mitologia Grega

Outra inspiração para meus escritos, sem dúvida, é a riquíssima Mitologia Grega. A seguir, um texto meu escrito há alguns anos sobre o assunto:



O Livro de Ouro da Mitologia (Ediouro) é um bom ponto de partida sobre o assunto

Imagem: http://www.livrariasaraiva.com.br/imagem/imagem.dll?pro_id=430249&tam=2

Encaro a Mitologia Grega como um grandioso filme. Colossal em vários sentidos. Seja pela extensão das obras, pelo número de personagens, pelas temáticas, pela riqueza e profundidade com que nos toca. Os envolvidos com as sagas são tantos que habitam um mundo próprio. Personagens secundários saem de uma trama para tornarem-se protagonistas numa história seguinte. Enfim, por seu valor, trata-se um tesouro.

E cada saga narrada seria apenas um pedaço desse grandioso filme. A Guerra de Tróia, portanto, dentro deste contexto, é mais uma cena dessa película. Mas ela possui um diferencial, é como uma cena muito bem produzida, ao narra a maior de suas guerras. A maior de todos os tempos, diriam uns. Importante sim. Mas essa importância esbarra numa ironia: ninguém sabe dizer o que realmente aconteceu. Há divergências entre os historiadores quando se afirma SE aconteceu uma guerra, qual seu verdadeiro motivo e até mesmo SE realmente existiu uma cidade ou reino chamado Tróia.

Porém, as dúvidas apenas alimentam o mito e nossa ânsia de ler mais a respeito. A matéria de capa da revista Superinteressante de maio [Nota: esse texto foi publicado em 2004. Época do lançamento do filme Tróia. A revista citada foi lançada em maio daquele ano.] traz uma matéria que aborda a possível localização de Tróia, a pista de que aconteceu algo grande na região durante o final do século XIII (quando a batalha pode ter ocorrido) e a discussão sobre a existência ou não do escritor Homero. Vale a leitura.

A Guerra de Tróia como Homero (ou a tradição oral que representa) e a mitologia nos contam começou por causa de um pomo de ouro. Todos os deuses foram convidados para o casamento de Peleu e Tétis, menos Éris, a deusa da discórdia (a minha deusa preferida). Irritada com a exclusão, a mulher enviou um pomo de ouro a festa com a inscrição "À mais bela". Então, as deusas Atena, da sabedoria (ela não foi muito sábia desta vez), Hera, mulher de Zeus, e Afrodite, da beleza, iniciaram uma disputa pela maçã. Zeus não querendo tomar partido de nenhuma das três, incumbiu o jovem pastor Páris para a tarefa.



A Ilíada e a Odisséia, de Homero, na edição da editora Martin Claret

Imagem: http://www.livrariasaraiva.com.br/imagem/imagem.dll?pro_id=129640&tam=2

Imagem 2: http://www.livrariasaraiva.com.br/imagem/imagem.dll?pro_id=119473&tam=2

Cada deusa ofereceu algo ao jovem em troca do pomo. Hera lhe prometeu riqueza e poder, Atena lhe garantiu sabedoria e fama na guerra e Afrodite, a mais bela das mulheres para esposa. Páris entregou o pomo a Afrodite e ganhou duas inimigas divinas que ficariam contra ele na guerra que viria a acontecer. O jovem foi a Grécia e conheceu Menelau, rei de Esparta, e apaixonou-se por sua mulher, Helena, a mulher mais bela do mundo, que raptou para casar. Acontece que o pastor viria a descobrir que era filho de Príamo, rei de Tróia, o que complicaria ainda mais as coisas.

Enfurecido, Meneleu queria ir a Tróia regatar a esposa para matá-la e clamou por seu irmão Agamênon, rei de Miscenas, que aceitou, mas muito mais interessado em expandir suas fronteiras do que com uma briga entre marido e mulher. Assim, gregos e troianos elegem campeões para batalhar em frente às enormes muralhas de Tróia. Não podemos nos esquecer dos deuses sempre intervém na guerra de alguma maneira favorecendo um ou outro lado. O combate se desenvolve até que finalmente os gregos conseguem transpor as muralhas de Tróia valendo-se do famoso cavalo de madeira que trazia guerreiros em seu interior e originou a expressão "presente de grego".

A batalha de Tróia é narrada na Ilíada e as aventuras do soldado grego Ulisses voltando para casa são mostrados na Odisséia, ambas obras de Homero. A saga fala da honra, coragem, vida, amor e outros temas que constroem um mito que ecoa na eternidade.

Texto originalmente publicado no site Raciocínio Rápido.

domingo, 17 de outubro de 2010

Papo Fantástica - 16/10/2010: Review



Imagem: http://www.revistafantastica.com/Papo%20Fantastica/Papo%20fantastica%20logotipo%20novo.jpg

Como mencionei no post anterior, eu conferi o evento Papo Fantástica que ocorreu no dia 16 de outubro na Livraria Cultura do Market Place em Sampa. Para quem ainda não sabe, o Papo Fantástica é o Podcast da Revista Fantástica, uma publicação digital (e totalmente gratuita!) sobre literatura fantástica nacional. Uma iniciativa muito bacana que dá espaço para novos autores.

A palestra foi ministrada pela equipe da Revista Fantástica Carol Chiovatto, Leandro Schulai, Luiz Ehlers e Felipe Pierantoni com participação especial de Alba Milena, do blog Psycobooks, e Erick Sama, editor da Editora Draco.

Foram debatidos assuntos diversos tais como o distanciamento que a leitura obrigatória dos clássicos na adolescência provoca nos jovens com relação ao hábito de ler. Concordo com tal ponto de vista. Alguns clássicos são muito rebuscados. Portanto, mais indicados para leitores mais atentos e maduros. Acredito que o hábito de leitura vem em primeiro lugar. Independente do que se lê. O mais importante é incentivar a juventude a ler. Algo comercial? Algo na moda? Ok. Isso vai despertar seu interesse para ler cada vez mais e consequentemente buscar por grandes autores. Inclusive os clássicos.

O grande momento desse debate sobre clássicos ocorreu quando uma jovem de 15 anos da platéia fez uma participação revelando que curte Machado de Assis e um de seus livros preferidos é Dom Casmurro!!! Após esse momento, a discussão chegou ao ponto de alguém perguntar: mas o que define um clássico?

Particularmente, acredito que um clássico é uma obra (isso vale também para o cinema) que rompa com estruturas estabelecidas até o momento de sua criação. Um clássico torna-se clássico quando ele insere novos elementos para a produção de determinado tipo de obra (um filme, um livro, uma pintura, etc). Algo inovador. Que nunca fora feito antes.

Outro bom momento da noite foi quando um dos participantes da platéia afirmou que considera o texto da Stethenie Meyer, a autora de Crepúsculo, fraco e muito ruim. Outras pessoas se posicionaram contrárias a essa opinião informando que inclusive leram o texto original e inglês e defendem a autora da série de vampiros.

Alguém também acrescentou um raciocínio muito interessante a essa questão que é: sem dúvida, os leitores de Meyer se interessarão por vampiros. Isso pode levá-los a ler outras obras sobre o tema tais como Anne Rice, autora de Entrevista com Vampiro (uma das minhas escritoras prediletas), e quem sabe até ler Bram Stoker, simplesmente o criador do Drácula!




Imagem: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiE6fI8aYPxDW6oiSSJwhKMVLVhhAdsxBq2zktdZ3acD5xVXQiHju060xMD3prATC5hjWD2lfvmRLMugef-V6Xea26Gtcc3kcXDKR064K7wiuL1rX3FKi3eWFEw9qfCeVlIHwx0_IctnVw/s269/Box_Skoob_copy.jpg

Para os novos autores, sem dúvida, algumas dicas apresentadas por Erick Sama (que recebe diversos originais todos os dias) são imprecindíveis. Erick esclareceu que recebe todo tipo de textos. Desde trabalhos muito ruins até os encantadores que o fisgam na primeira leitura. Ou seja, a seleção de algumas obras é puro feeling. Ele busca a experiência que o leitor irá ter com a obra.

Não é escrever textos sobre algo que está na modinha. É escrever algo que você gostaria de ler. Algo com algum diferencial. Algo em que você acredita. Algo com verdade, como a Carol Chiovatto bem colocou.

Erick também lembrou a importância que existe de pesquisar tudo sobre determinado assunto se você quer escrever sobre ele. Por exemplo, um novo autor decide escrever sobre Pégaso, o cavalo alado da Mitologia Grega. Se ele fizer isso tendo como base apenas Percy Jackson, ele já começou muito mal. Para começar, esse novo autor deve pesquisar tudo que já foi escrito sobre Pégaso e beber da própria fonte, ou seja, a Mitologia Grega de fato que é muito mais rica.

Segundo Erick, ele percebe que recebe muitos originais de autores que acreditam ter produzido algo original, mas que não se deram ao trabalho de pesquisar sobre o assunto antes. Ou seja, acabam produzindo trabalhos semelhantes a outras que já existem no mercado.

Outra discussão interessante e pertinente é a questão do autor e a divulgação de sua obra. Obviamente, a divulgação é responsabilidade da editora que irá publicar o livro. Mas ajuda muito o barulho que o próprio autor consegue fazer. E nada mais chato do que um autor antipático. Este pode até escrever bem, mas se não sabe lidar com pessoas e não tem carisma, muito provável que poucos lhe darão atenção para sua produção intelectual.

Também foi interessante o debate sobre os e-books. Será que um dia os livros físicos como os conhecemos hoje um dia irão desaparecer. Cada um tinha sua opinião. Particularmente, não tenho opinião formada, pois estamos inseridos nesse processo lento e longo. Acredito que se isso acontecer (do livro de papel vier a desaparecer), será algo decidido pela geração de meus netos ou bisnetos. Enfim, não estarei vivo para acompanhar o desfecho desse processo.

Muito divertido e empolgante o evento. O Papo Fantástica tem por meta tornar-se um evento mensal na Livraria Cultura. O próximo evento deve ocorrer no fim de novembro com data a confirmar. Muito importante a participação da platéia que comparece ao evento. Agrega e muito aos debates. Portanto, a presença de todos é muito bem vinda! Quero ver no próximo encontro o autório lotado. Com gente de pé! Eu estarei presente. E você?

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Papo Fantástica




Imagem: http://go2.wordpress.com/?id=725X1342&site=carolchiovatto.wordpress.com&url=http%3A%2F%2Fcarolchiovatto.files.wordpress.com%2F2010%2F10%2Fconvite-papo-ao-vivo1.jpg&sref=http%3A%2F%2Fcarolchiovatto.wordpress.com%2F

O convite acima já diz tudo, né? Neste sábado, dia 16/10, vai rolar a gravação ao vivo de um Papo Fantástica, o podcast da Revista Fantástica, na Livraria Cultura do Market Place às 18h.

A Revista Fantástica para quem não conhece é uma publicação bimestral e digital (totalmente gratuita!) que apresenta matérias sobre o mercado editoral brasileiro de fantasia. Ou seja, diversos novos autores de ficção, suspense, terror e afins ganham espaço nas páginas da revista. O mais legal é que a publicação trata apenas de material produzido aqui no Brasil.

Então, não deixem de conferir a revista e participar do evento. Este é apenas o primeiro de uma série de eventos que ocorrerá mensalmente na Livraria Cultura.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

E o livro?

Essa é a pergunta que não quer calar. Muita gente ciente do lançamento do livro em janeiro de 2011 me faz esta indagação. Afinal, e o livro?

A editora já está trabalhando nele. A obra está passando por revisão, diagramação, etc. Enfim, processos que visualmente não dá para mostrar por aqui (a capa é uma das últimas partes que ficarão prontas).

Quanto a mim, devo entregar para a editora os textos das orelhas e quarta capa até o fim da semana que vem. Em seguida, começarei a realizar a leitura final do autor (após as revisões da editora) antes da obra ser enviada para impressão.

Também estou providenciando o material para o meu site pessoal (com hotsite para A Aprendiza de Elementar) que deve ser lançado mês que vem.

Enfim, peço paciência a todos (afinal, ninguém deve estar mais ansioso do que eu....kkk). 2010 já era, galera. As lojas e shoppings já estão decorados para o Natal e vendendo panetones. Então, basta aguardar. Janeiro já está aí!

Holy Avenger

Para completar a Trilogia da Resenha (iniciada com o post A brincadeira de resenhar e prosseguido no texto sobre Warlands), vou apresentar agora uma resenha que enaltece os pontos fortes de uma ótima obra em quadrinhos. Confira!



Imagem: http://mundodorpg.files.wordpress.com/2010/09/capa-holy-avenger-volume-ii.jpg?w=500&h=370


Quadrinhos é um assunto muito gostoso de abordar. E falar sobre bons quadrinhos é melhor ainda. Não só bons desenhos, mas também e, principalmente, bons roteiros.

Então, aqui vai uma dica para quem quer ler algo diferente. Esta HQ é fantástica e 100% nacional. Estou falando de Holy Avenger, com arte de Érica Awano e roteiro de Marcelo Cassaro.

Esta revista surgiu em 1999 e estendeu-se por 40 edições que cativaram um público fiel. Antes que pensem que a revista foi cancelada, eu explico: ela encerrou-se no número 40. Por que? Porque boas histórias, geralmente, possuem um final. Esse detalhe poderia passar um dia pela cabeça dos americanos.

Holy Avenger possui dois ingredientes que a tornam ainda mais interessante: a revista une elementos RPGistas e mangáticos. Seus desenhos (e esta questão de a história possuir começo, meio e fim) são inspirados nos quadrinhos japoneses e a trama possui um ritmo de RPG. Os personagens principais enfrentam obstáculos que lhe são impostos e evoluem no decorrer da trama a medida que ganham experiência.

E o velho e inocente maniqueísmo de algumas histórias é posto de lado. Logicamente, existem heróis e vilões, mas, não temos os bons contra os maus. O mocinho, por exemplo, é um ladrão. Uma das heroínas possui um passado pra lá de obscuro. A mocinha é uma druida super inocente que vai tornando-se maléfica ao longo da aventura. E assim por diante.

A aventura acontece num mundo fantástico chamado Arton, que, na verdade, não é um mundo, mas um grande continente. E seus habitantes não interessam-se muito no que existem além de suas costas. Eles entendem como mundo esse lugar atemporal.

Esse mundo foi criado pelos poderes de 20 deuses que vivem num Panteão. A trama gira em torno da busca pelos rubis da virtude, que são esferas criadas por estes 20 deuses para dar poder a um paladino chamado Paladino. "O" Paladino de Arton. Um ser extremamente poderoso que era indestrutível e caminhava sobre esse mundo derrotando o mal. Porém, o sujeito desapareceu sem deixar rastros.



Imagem: http://www.universohq.com/quadrinhos/2003/imagens/holy_avenger_vol5.jpg

Só que existe uma pessoa que sabe onde ele está. Uma moça chamada Lisandra, uma druida que não conhece outros humanos e é atormentada por sonhos que a instigam na busca por estas jóias pra trazer o Paladino de volta a vida.

Ela busca a ajuda de Sandro Galtran, um ladrão mequetrefe que deseja se tornar um grande ladrão como seu pai. Junto com Sandro e Lisandra, outros dois personagens compõem o quarteto de protagonistas. São eles: o troglodita anão Tork, pai adotivo de Lisandra, e Niele, uma maga elfa maluca com um passado sinistro.

Outros persongens se juntarão aos quatro ou passarão pelas páginas da revista. Devo acrescentar: um mais cativante que o outro. Todos os personagens possuem histórias interessantes, suas personalidades são complexas e sempre queremos saber mais sobre eles. Tanto que alguns ganharam edições especiais que revelam suas origens.

Acho que uma crítica que posso fazer a revista é justamente o título. Acho que deva ser mania do Marcelo Cassaro, pois ao final de Holy Avenger, ele escreveu uma mini-série em 4 edições chamada Dungeon Crawlers com ilustrações de Daniel HDR e manteve essa característica de dar um nome em Inglês para a revista.

Nem todos os seus leitores dominam uma segunda língua. E mesmo quem domina esbarra na confusão que alguns jornaleiros fazem. Vá pedir uma edição de Dungeon Crawlers para o "tio" da banca de revistas mais próxima. Ele certamente responderá: "o que?". E você fica naquele suspense não sabendo se ele não te entendeu porque sua pronúncia foi incorreta ou porque ele não entende Inglês mesmo.

Fora isso, a HQ vale muito a pena. É divertida e engraçada. Tem suspense, drama, romance e até um erotismo leve. Enfim, elementos que poderiam permear muitas histórias. E tem algo mais: é totalmente feita no Brasil.

Não sei se quando li a história só eu tive esta impressão, mas o fato de saber que todo aquele material foi produzido por estas bandas, sinto que aqueles acontecimentos, aqueles personagens estão mais próximos de mim. Talvez pelo costume de ler histórias onde os personagens vivam aventuras nas "Nova Yorks" da vida.

Holy Avenger ganhou também um livro chamado A Arte de Holy Avenger com as artes da revista (publicadas ou não) com informações de todos os artistas envolvidos na produção da publicação. Um CD também foi produzido com dubladores profissionais interpretando os personagens principais. Chama-se Ouvindo Holy Avenger. É muito legal ouvir aquele personagem que você imaginou os trejeitos e cacoetes durante 40 edições. Aliás, é muito mais divertido ouvir o CD após terminar a história, pois muitas piadas se referem ao final da aventura ou algum acontecimento específico da história. Esses CDs com personagens de quadrinhos é bastante comum no Japão (olha outra influência do mangá por aqui).

Texto originalmente publicado no site Raciocínio Rápido.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Warlands

Para exemplificar o que foi dito no post anterior (A brincadeira de resenhar), irei postar duas resenhas minhas. Uma dando um ponto de vista negativo sobre determinada obra e outra enaltecendo outra obra. Sempre baseado em argumentos. Não basta falar "gostei" ou "não gostei" daquela revista, livro ou filme. Tem que demonstrar!


Imagem: http://www.universohq.com/quadrinhos/2003/imagens/warlands1.jpg

Vamos direto ao ponto: sem meias palavras, essa revista é uma b... Fazia um bom tempo que eu não lia uma história com tantos clichês e boas idéias sendo desperdiçadas uma após a outra. Uma surpresa, pois grande parte do que é publicado pela Mythos são boas histórias ou materiais alternativos que a Abril vivia deixando de lado. Mas descer a lenha gratuitamente é fácil. Então, vamos aos porquês.

Warlands é o nome de um fabuloso continente povoados por humanos, elfos e anões que é cobiçado por vampiros e demônios. Há muitos séculos, Malagen, o Sombrio, líder dos vampiros de Datara, quase dizimou os povos das Warlands em uma guerra em que quase conquistou seu objetivo. Ele só não o fez, pois descobriu um pergaminho que continha uma profecia que dizia que ele seria derrotado por um humano usando a lendária Armadura Darklyte. Por este motivo ele recuou e não foi mais visto pelo continente. A aventura da mini-série em 6 edições (que li numa edição encadernada) começa com o princípio de uma nova investida de Malagen, que desta vez também almeja o artefato ancestral capaz de detê-lo.

A história não é grande coisa. Mostra uma luta entre o bem e o mal bem ao estilo de O Senhor dos Anéis. Aliás, a própria Mythos utilizou as semelhanças para promover a mini-série. É terrível ler uma aventura em que página após página temos aquela impressão de que “já vi isso em outro lugar”. As Warlands são uma Terra Média sem sal, assim como o grupo de heróis protagonistas que não chegam aos pés de uma Sociedade do Anel light.

Os personagens não nos cativam. Pra falar a verdade, em momento algum, me preocupei com o destino daqueles personagens ou de sua terra natal. O pior é que há momentos em que um personagem morre e volta à vida numa boa como se morrer fosse um passeio até a esquina. Os desenhos são bonitos, mas muito se deve aos efeitos de computador conhecidos de outras publicações da Image (editora americana do Spawn). Desta forma, acho que se a edição fosse em preto e branco, pouco restaria da arte.

Entre os protagonistas que formam o grupo principal de heróis temos uma elfa desgarrada de seu povo, Elessa, pois nas Warlands os elfos são totalmente xenófobos a outras criaturas vivas. Cabe a ela lutar contra esse preconceito para unir os elfos aos humanos. Onde será que eu já vi isso? O humano da vez chama-se Jerell que parece um grande covarde a princípio, mas vai ganhando garra e voz a medida que vive os acontecimentos. O mago que integra o grupo chama-se Delezar e todos o chamam de ancião. Não sei porque falam isso, pois com seu capuz ele parece um rapaz de 20 anos e quando deixa seus cabelos grisalhos a mostra parece um solteirão com seus 40 anos. Isso é uma grande falha do desenho, na minha opinião. Todos os personagens são demasiadamente parecidos e suas idades não são bem definidas. O rei dos humanos possui uma grande barda, mas sua pele não traz os traços da velhice. Todos parecem jovens e saudáveis com rostos inexpressivos.



Imagem: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEir-GmYg82vRJVfkeg_2vq4mWA30k69HnllNStUc7zY2jE9LFQpV2kr2M9_qtOh0Lpq-vhGUp9pk1xhW4qMpxIOwX7H_wct-sx2uxmTbHqapaZ6fQv516HoN68FcClttwnFdfnRei7RycY/s400/Warlands02.jpg

O personagem mais desperdiçado, sem dúvida, é o protegido de Delezar, o garoto Zeph. Um jovem que usa uma venda nos olhos. Ele é treinado por Delezar para utilizar seu grande poder mágico latente que manifesta-se por vontade própria. É aquele tipo de personagem interessante que nem ele próprio sabe o que é capaz de fazer, porém ele é desperdiçado de tal forma que dói. O garoto nunca abre a boca e seu poder “incrível” só se manifesta uma ou outra vez, porém em nenhum momento importante. Por último, temos um humano de uma raça conhecida como drans chamado G’Dar. O cara parece um He-Man perdido. É loiro, fortão e carrega uma espada grande.

E o grande objeto de cobiça da história é deixado em segundo plano. Há uma ou outra reviravolta que não é tão reviravolta assim e quando acontece dizemos “noossa” (um nossa bem xoxo). Os clichês são tão descarados que eu estava pronto: se um anel, de qualquer tipo, forma ou tamanho aparecesse naquela revista eu a fecharia no mesmo momento. É, nenhum anel apareceu, mas fiquei me perguntando onde foram parar os R$ 9,90 que gastei com essa droga.

Por curiosidade: Warlands não termina após o fim das 6 edições! A “epopéia” (a Mythos tem coragem de usar esse termo) de Pat Lee continua. Atualmente, a Mythos está lançando uma maxi-série mensal de 10 edições intitulada Warlands 2 que unifica as séries Warlands Volume II: A Era Glacial, Warlands Volume III, Warlands: Três Histórias (prólogo para a Era Glacial), Warlands: Guerreiros Banidos (Epílogo para o Volume I) e Shidima (um prequel para a saga da Armadura Darklyte).

Eu só não sei como uma história tão ruim e sem originalidade pode render tantos frutos enquanto tantos artistas talentosos não conseguem espaço para publicar seus trabalhos.

Texto originalmente publicado no site Raciocínio Rápido.