sábado, 23 de outubro de 2010

O Incrível Hulk

Hulk esmagando pra valer
O Incrível Hulk é o segundo filme do Marvel Studios, após Homem de Ferro. Ele não leva em consideração os eventos mostrados no imcompreendio Hulk de 2003 de Ang Lee, mas também não os descarta. Não trata-se de uma refilmagem ou reboot exatamente porque não mostra novamente como o cientista Bruce Banner (Edward Norton) tornou-se o Hulk. A trama já mostra o personagem foragido em uma favela do Brasil tentando encontrar uma cura para o seu mal.

Bruce também precisa manter-se calmo para não liberar sua outra persona totalmente incontrolável. O que fica bem complicado de se fazer quando o exército aparece atrás dele liderado pelo General Ross (William Hurt), coincidentemente o pai do grande amor da vida de Banner, Betty Ross (Liv Tyler).

Esse novo filme possui um viés bem mais comercial do que o filme anterior dirigido pelo cineasta chinês. Isso fica bem evidente com as cenas de ação bem mais presentes. Mas também possui um ritmo deveras irregular. Quando Norton está em cena (ele também atuou como roteirista ainda que não creditado), ele busca um filme mais "cabeça" e focado nos dramas do personagem principal. Já o diretor Louis Leterrier, profissional de pouca expressão - ainda que competente - e obviamente cobrado pelos produtores, busca um filme de ação. O que nos padrões hollywodianos significa explosões e efeitos especiais para lotar as salas de exibição.

Hulk diante de um oponente inesperado

Ao mesmo tempo que essa irregularidade de ritmo do filme fica perceptível, ela também não o torna enfadonho. Antes que as lamentações do cientista cansem a platéia, os tanques de guerra do exército aparecem para vermos o Hulk esmagar. E para evitar que as cenas de ação percam a importância para nós, entra em cena a linda Liv Tyler para acalmar os ânimos do Dr. Banner.

Outro ponto bacana do filme são as referências ao universo em que o personagem está inserido. Assim como no primeiro filme do estúdio pipocam dicas que remetem a outros personagens. Fala-se sobre o soro do supersoldado e até mesmo há uma ponta de Tony Stark (Robert Downey Jr.).

Bem menos ousado que o filme de 2003, este novo filme do golias esmeralda foi pensado para agradar a audiência, mas ainda não agradou aos bolsos de seus produtores o suficiente para garantir uma franquia cinematoráfica ao verdão. Aguardemos para ver quando o Hulk irá dar seus gigantescos saltos novamente nas telonas.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Histórias em Quadrinhos



Ilustração do meu trabalho final para meu curso de História em Quadrinhos


Eu já falei por aqui que eu fiz um curso de Histórias em Quadrinhos? Não? Então, pronto. Falei agora...rs

Sim, eu fiz um curso de HQ na Escola Oficina nos anos de 2001 e 2002. Não sou nem de longe desenhista profissional. Meu interesse em fazer esse curso diferenciado era aprender a arte de narração visual dos quadrinhos (que remetem ao cinema também) e diversificar meu currículo.

Eu estudava HQ quando entrei na minha faculdade de Jornalismo. Até mesmo me utilizei dessa "carta na manga" para produção de alguns trabalhos na facul (tais como charges e ilustrações), mas nunca pensei em trabalhar no segmento. Sério.

Acredito que desenhar seja um dom. Um talento natural que algumas pessoas tem e outras até podem aprender e se aperfeiçoar com o tempo. Mas isso requer muita força de vontade e empenho.

Não é o meu caso, pois gosto muito de escrever. Também tenho muito mais facilidade para isso. Consigo produzir um texto de qualidade razoável em uma hora, mas levo um dia todo para produzir um desenho apresentável. Também não teria paciência para ficar um mês inteiro debruçado sobre uma ilustração.

Embora eu fique maravilhado com uma arte bem produzida, sabe aquela expressão "uma imagem vale mais do que mil palavras"? Então, isso pode até ser verdade, mas ainda assim prefiro as mil palavras do que a imagem!

Semana passada, levei uma pasta com alguns rabiscos meus para apresentar para meus colegas do serviço e eles tiveram uma repercução muito interessante. Por isso, irei digitalizar alguns destes desenhos e inserí-los em uma galeria que montarei em meu vindouro site a ser lançado em novembro!

Teaser: Kiara




Tímida como uma brasa. Temperamental como uma explosão.

Resolvi fazer uma brincadeira: selecionar uma imagem qualquer da internet e utilizar aquele recurso do Photoshop para produção de um desenho a partir de uma foto.

Então, decidi criar um banner para a protagonista de A Aprendiza de Elementar, Kiara. Ficou legal, né? Gostei tanto do resultado que acho que farei o mesmo com mais alguns personagens. O trabalhoso é encontrar uma foto legal para tratar. Foto de gente famosa, por exemplo, está fora de questão. Ficaria muito óbvio.

Só para lembrar, essa ilustração não será utilizada para nenhum fim comercial. Não vai aparecer no livro ou até mesmo no site. Nada disso. É só um passatempo. Mesmo porque nem tenho os direitos da imagem que utilizei.

Não sou muito entendido de Photoshop, mas gosto de brincar com ele.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Kill Bill: Volume 2



Elle Drive está armada e é muito perigosa

Imagem: http://www.goodgreencars.com/wp-content/uploads/2008/09/_elle-driver-_014_.jpg

A espera foi longa, mas foi muito bem recompensada. Kill Bill Vol. 2 chegou aos cinemas brasileiros na última semana para terminar de narrar a sangrenta saga da Noiva (Uma Thurman). No fim de sua jornada, a Mamba Negra enfrenta os mais terríveis profissionais do Esquadrão de Assassinos das Víboras Mortais, além do famigerado Bill.

É bom lembrar que não existem dois filmes de Kill Bill, mas um filme dividido ao meio por questões comerciais (o valor arrecadado nas bilheterias, provavelmente, seria menor se os espectadores tivessem de encarar um filme com mais de 4 horas de duração).

Não há como se diferenciar do que outros sites dizem sobre a película: “um dos melhores filmes do ano, senão o melhor” ou “o ano poderia acabar por aqui”. Kill Bill não só mescla elementos divertidos dos mais variados gêneros do cinema como traz personagens fortíssimos com filosofias particulares muito bem definidas (o forte de Tarantino) que sustentam uma história de amor bem bolada contada de uma forma não linear que a deixa ainda mais interessante.

A linha narrativa é um ponto forte do filme. Se ele fosse contado linearmente, ou seja, começo, meio e fim, como convencionou-se, muito do impacto causado por determinadas revelações seria perdido já que saberíamos de antemão o que acontecera anteriormente. Indo e voltando no tempo as informações são nos reveladas a conta-gotas e nos momentos precisos. Antes, não eram necessárias serem conhecidas.

Enquanto na primeira parte do filme, Bill (David Carradine) era alguém poderoso e intocável, uma sombra sinistra cuja presença só era perceptível pela voz rouca do ator, nesta segunda parte, o personagem ganha mais profundidade e traços mais humanos. Sua importância para aparecer até mesmo no título do filme se faz presente e entendemos as motivações do personagem e percebemos como ele não é tão e somente um monstro cruel como a narração em off da Noiva possa nos fazer pensar no primeiro volume. Tive a oportunidade de ler o release do filme e o ator David Carradine defende com unhas e dentes seu personagem quando perguntado sobre Bill ser o vilão do filme: “Não existem mocinhos nos filmes de Quentin Tarantino. Todos são vilões.”



Um dos pôsteres da produção

Imagem: http://www.omelete.com.br/imagens/cinema/artigos/kill_bill2/poster.jpg

Muitas resenhas consideram o volume 1 uma atração mais masculina enquanto a segunda parte mais feminina. A verdade é que muitos garotos gostam mais da adrenalina, músculos, chutes e socos da primeira parte do que a profundidade, sensibilidade e romantismo do volume 2.

Eu, particularmente, gostei mais do volume 2 por um simples motivo: as coisas, realmente, acontecem apenas no volume 2. Os primeiros capítulos da saga da Mamba Negra narram apenas lutas e o embate com os personagens mais “coadjuvantes” das Víboras Mortais. Já o volume 2 traz o próprio Bill como protagonista, revela as motivações por traz da ação dos personagens e mostra o confronto da Noiva com sua mais terrível adversária: Elle Drive (Darryl Hannah). Uma luta que se resume a uma palavra: Jackass! (rs) Acontece que as duas loiras protagonizam uma cena de luta bizarra e absurda, sem nobreza alguma se comparada à luta com O-Ren Ishii (Lucy Liu), com direito a dar descargas uma na outra, quebrar vasos e tábuas na cabeça da rival e um final pra lá de nojento.

Não posso deixar de destacar a importância da trilha sonora que é vital nos filmes de Tarantino. Voltando ao release, descobri que o diretor preza tanto a música em suas películas, pois antes do videocassete, a única forma de reviver as emoções de um filme era por meio de suas trilhas sonoras e tentar remontar as cenas mentalmente (o diretor é desta época). Experimente ouvir a trilha sonora em CD. Não há como não lembrar de determinadas passagens da produção.

Seja por personagens cativantes, uma história bem amarrada ou uma protagonista – ao mesmo tempo – bela, cruel e merecedora de um destino tão terrível quanto o das vítimas de sua lâmina, Kill Bill é um filme para ser assistido várias vezes e tirar proveito desta divertida aula de cinema oferecida por Quentin Tarantino.

Texto originalmente publicado no site Raciocínio Rápido.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Kill Bill: Volume 1



Estragar o casamento de uma assassina profissional não é uma boa idéia (Eu adoro essa imagem)

Imagem: http://www.omelete.com.br/imagens/cinema/news/kill_bill/killbill_vol2_thebride.jpg


É estranha a expectativa que cria-se quando vamos assistir a um filme onde a principal atração é o seu diretor e não a narrativa em si. Todo trailer e outdoor estampam “o 4º filme de Quentin Tarantino”. E quem não conhece seu trabalho se pergunta: Mas o que esse cara tem demais?

Certamente, eu não sou a pessoa mais indicada para dizer. Por isso indico uns textos abaixo para quem quiser se informar, mas assistindo a Kill Bill, seu mais novo filme, já temos uma pista grande de quem é a figura.

Kill Bill conta a história de Mamba Negra (Uma Thurman), uma assassina profissional ex-integrante do grupo das Víboras Mortais – uma equipe chefiada pelo mencionado Bill do título – , que é traída pelo chefe e pelas colegas de trabalho bem no dia em que iria se casar. Todos os convidados são mortos e a Noiva leva um tiro na cabeça. Porém, ela não morre. Ela entra num coma de 4 anos e acorda irada com o único propósito de matar Bill. Ah, detalhe: no dia do casamento, quando ela levou um tiro na cabeça ela estava grávida. Quer dizer, ela não quer vingança apenas pela traição, mas também pela morte do noivo e da filha.

Inexplicavelmente, toda vez que seu nome verdadeiro é pronunciado um som de censura é posto no ar (sabe aquele “piii”?) e na legenda no lugar do nome aparecem dois traços: --. Não faço idéia do porquê disso. Mas já li que o nome verdadeiro dela é revelado na segunda parte. Para quem não sabe, o filme foi dividido em duas partes devido ao seu tamanho. Por isso é difícil falar da trama quando apenas visto pela metade.

Pela sinopse já dá para perceber que não há uma grande história. O filme, na verdade, é sustentado pelos cativantes personagens e a forma como a história é contada. Ou montada. A película é dividida em capítulos que não seguem uma linha temporal contínua (complicado?) (rs), ou seja, as informações são reveladas em pequenas doses fora de ordem. Em um momento, estamos no presente, de repente, voltamos ao coma da protagonista, depois vamos para o futuro e, em seguida, o passado de uma das vilãs é revelado. Enfim, você entende tudo se prestar atenção porque este não é um filme de ação em que não precisamos pensar.

Tenho que dar o braço a torcer para o diretor que monta um espetáculo muito agradável para se assistir. Os cenários são muito bonitos, as músicas são legais e são colocadas nos momentos precisos, os closes dos rostos e olhos dos personagens possuem uma importância que Tarantino sabe utilizar. Outra questão muito importante: o filme possui inúmeros cenas de luta e, por incrível que pareça, não cansamos delas. Elas são super bem coreografadas e são mais críveis do que a luta entre Neo e os Agentes Smiths em Matrix Reloaded já que não há recursos em computação gráfica. Ou seja, todos os 88 Yakuzas que a Noiva enfrenta numa cena de quase 30 minutos são atores de carne e osso.



Diretor com cara de maluco

Imagem: http://www.omelete.com.br/imagens/cinema/artigos/quentin_tarantino/tarantino.jpg

Kill Bill é um filme para entreter e pronto. Seu diretor é um declarado fã da cultura pop em geral e muita coisa entra em seu filme como referência. Sejam as máscaras dos Yakuzas que lembram o Besouro Verde, as lutas com espadas que remetem aos mangás de samurais e ao anime, o desenho animado japonês. Aliás, a seqüência em que é narrada a história de O-Ren Ishii, também conhecida como Boca de Algodão (Lucy Liu) é toda produzida em desenho animado (com muita qualidade e tão violento quanto o resto do filme).

Não posso deixar de mencionar o mote do filme: a vingança. É uma referência clara áqueles antigos filmes de kung fu. Coisas do tipo, “mataram meu pai, eu o vingarei” ou “a morte do meu irmão não ficará impune”. A primeira imagem do filme é os dizeres “a vingança é um prato que se come frio”. Por favor, existe ditado mais utilizado para se falar de vingança como este? Isso deixa claro também como o desejo de vingança que motiva a protagonista é um pretexto já tão gasto em filmes (clichê mesmo!) que já virou carne de vaca. Trata-se de uma premissa simples para mergulhamos na vida de personagens interessantes e, em muitos momentos, parece mais como uma desculpa para vermos socos, chutes e muito sangue na tela. E haja sangue! O filme é violentíssimo. A censura é 18 anos.

Outra característica legal é que, com exceção de Bill, praticamente todos os personagens principais são mulheres. É preciso dizer que se a Mamba Negra fosse um homem, muito da dramaticidade do filme se perderia. Inclusive pela questão de ela ter sido pega de surpresa em seu casamento grávida. São alguns elementos que não fariam sentido para um homem vingativo. É engraçado pensarmos às vezes por que Harry Potter não é uma garota? Por que nas histórias clássicas o cavaleiro salva a princesa e não o contrário? Ou uma amazona salva um príncipe? Sendo que uma mulher pode dar conta de situações tão complicadas quanto um homem.

Além do que, numa ficção, como se trata de uma história inventada que é narrada num livro ou filme, há a necessidade de uma demonstração de sensibilidade grande para comover o leitor ou espectador. Se as mulheres são mais sensíveis e demonstram suas sensações com mais vigor e força, por que relegá-las aos papéis as personagens secundárias?

Outra característica do filme é que ele possui momentos exagerados (as famosas barras forçadas) que nos lembram de que aquilo é apenas um filme. Aliás, parece que o diretor gosta de nos lembrar disso.

Para atiçar a curiosidade e fazer a gente assistir a segunda parte muita coisa é mantida em segredo, inclusive o motivo que fez Bill e as Víboras Mortais acabarem com o casamento da Mamba Negra. Kill Bill Vol. 1 termina com uma surpreendente revelação que nos faz até pensar se a Noiva levará sua vingança até as últimas conseqüências.

Esse é o maior defeito do filme. Ele foi “quebrado” em dois. Ele termina no meio. E será duro esperar pela seqüência que está prevista para chegar ao Brasil apenas em Outubro.

Texto originalmente publicado no site Raciocínio Rápido.

Heróis X Vilões



Estatueta de Superman versus Darkseid

Imagem: http://www.starstore.com/acatalog/superman-darkseid-statue.jpg



O maniqueísmo (a eterna luta do bem contra o mal) é uma temática corriqueira em obras de fantasia. Em algumas obras, os mocinhos são bem distintos dos bandidos. Fica claríssimo para quem devemos torcer a favor ou contra. O que deixa a ficção muito simplista perto da realidade.

Oras, se a ficção é um reflexo ou metáfora para a realidade, ela não deveria ser assim. Nada contra obras infantis que adotem essa filosofia para passar alguma lição de moral. Mas para um público mais atento, isso soa sem graça.

Se recorrermos ao Dicionário Michaelis, uma das definições para herói é a seguinte: "Homem que se distingue por coragem extraordinária na guerra ou diante de outro qualquer perigo". E, para vilão, no mesmo dicionário temos: "Pessoa vil, desprezível, que comete ações más ou baixas". Sendo assim, parece simples, não é? O herói é alguém que só faz coisas boas e o vilão coisas ruins.

MAS, será que o herói nunca erra? Será que em toda sua vida o chamado vilão nunca fez nada que prestasse? Tenho mais dificuldade em acreditar nesse tipo de ponto de vista do que crer que um homem possa voar ou ser mais forte do que uma locomotiva.

Particularmente, não acredito em heróis ou vilões, mas em pessoas. Inclusive como personagens de sagas de fantasia. Ninguém é mal simplesmente porque um dia acorda e diz para si mesmo "nunca mais farei o bem na minha vida". Devem existir motivações por trás de tais personagens que definam seu estilo, jeito de ser e sua propenção (ou índole) para ações mais nobres ou desprezíveis.

Na criação de A Aprendiza de Elementar, tive isso sempre em mente. Então, temos a protagonista que é dona de um arsenal de defeitos (ou pontos a melhorar, como preferem alguns profissionais da área de Recursos Humanos) como qualquer um de nós. Mas que também possui diversas virtudes (algumas que até ela mesma desconhece!). Acredito que isso não a torne passível de ser rotulada heroína ou vilã.

No contexto do livro, o que existem são pessoas com virtudes e defeitos que fazem escolhas. Tais escolhas podem levar a caminhos belos ou lugares sombrios. A princípio, somos todos iguais, porém coisas ruins acontecem para todos ao longo de nossas vidas.

Tais eventos podem derrubar uma pessoa, podem fazê-la virar-se contra tudo e todos. Podem levar esse alguém a causar sofrimento para aqueles ao seu redor, mas, principalmente, para ele mesmo! Isso o torna vilão?

Porém, existem também aqueles que apesar dos infortúnios não se deixam abater. Persistem onde outros recuaram; possuem uma fibra que os faz seguir adiante apesar de diversos contratempos que teriam derrubado pessoas com menos garra e força de vontade. Tais pessoas tornam-se heróis por isso? Exemplos a se admirar talvez. Mas heróis?

Já li certa vez (não lembro onde) que o vilão é aquele personagem que acredita estar acima do bem e do mal. E, para ele, seus objetivos (quaisquer que sejam eles) não são merecedores de punição, pois ele acredita que ele é obviamente merecedor do tesouro que tão desesperadamente ele busca.

Nas histórias em quadrinhos americanas (Superman, Homem-Aranha, etc.) geralmente o herói não é somente aquele que faz o bem e salva vidas, mas aquele cara que inspira os outros a se tornarem pessoas melhores. Nesse herói sim dá até vontade de acreditar, mas sabemos que na real existem heróis e vilões mesclados dentro de cada um de nós. Afinal,
a realidade não é preta e branca. Ela possui tons acinzentados.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Linguagem entrecortada




Linguagem entrecortada ou narração não linear

Imagem: http://www.externatoescola.com.br/up/cinema.jpg



Após discorrer sobre a Criatividade, A Organização das Idéias e O Repertório, dou sequência a minha série de posts sobre o ato de escrever. Não trata-se de aula ou manual. Nada disso, apenas algumas impressões pessoais desta pessoa que vos escreve. Desta vez, o tema é a linguagem entrecortada!

Diferentemente dos posts anteriores que se propunham a dar dicas sobre a produção de qualquer tipo de texto, este aborda uma técnica especial para produção de textos narrativos. Agora o foco é a narração de histórias e de como tornar esta narração mais envolvente.

Basicamente, toda narração tem um começo, meio e fim. Certo? Cronologicamente, em um filme ou livro, você pode acompanhar desde o nascimento de um personagem, seu crescimento e sua jornada pessoal de descobrimentos e ações. No entato, é possível subverter esta regra. E se o meio visse antes do começo? Ou se a narrativa acontecesse até mesmo pelo seu final?

Isso pode ser mais complexo do que parece. Para certo tipo de público essa técnica pode até ser confusa no início, mas sem dúvida ela é muito envolvente. Principalmente, pois é necessário esquecer momentos muito específicos do passado, presente e futuro de sua história ou personagem para tornar relevante a utilização deste recurso.

Vamos aos exemplos? Vou utilizar três diretores para demonstrar do que eu estou falando: Quentin Tarantino, José Padilha e J.J Abrams.



Quentin Tarantino, diretor de Kill Bill

Imagem: http://www.osarmenios.com.br/wp-content/uploads/2007/06/Tarantino.jpg


Quentin é um diretor americano de filmes mais alternativos. Tais como Cães de Aluguel, Pulp Fiction, Jackie Brown, Kill Bill e Bastardos Inglórios. Todos utilizam esse recurso da linguagem entrecortada. A história começa em um ponto chave e depois voltamos ao passado para compreender os eventos que levaram a ação até aquele momento em que fomos apresentados no início do filme.

Kill Bill (confira as minhas resenhas dos volumes 1 e 2 dessa obra a partir de amanhã por aqui) é até mesmo dividido em capítulos. O que até mesmo facilita a compreensão desse recurso de uma narrativa não linear. Ela não é cronológica. Portanto, o capítulo 1 não acontece antes do 2, mas depois de outro e assim por diante.

O mais interessante é assistir a obra toda (os 2 volumes) até o final e perceber que se o diretor tivesse narrado a história da Noiva cronologicamente, ela não teria a menor graça. Tarantino foi um mestre em contar uma história desta forma. Pois o que nos prende é justamente a curiosidade em descobrir o que motiva todos aqueles personagens. Isso é algo corriqueiro em seus filmes.




José Padilha, diretor de Tropa de Elite 2 Imagem: http://veja.abril.com.br/blog/radar-on-line/files/2009/12/jose-padilha-paulo-giandaliafolha-imagem.jpg


José Padilha é o diretor dos dois Tropa de Elite. Ambos muito bons por serem inteligentes e muito provocativos (você sai do cinema após assistir Tropa de Elite 2 como se tivesse levado um soco na boca do estômago!). As duas películas com narração de Nascimento (Wagner Moura) começam por um momento importante da história. Algum momento mais impactante ou com mais ação. Então, após os créditos iniciais, a narrativa retrocede até dado momento em que somos apresentados aos personagens que participaram daquela cena inicial e nos são apresentados os eventos que culminarão naquela cena inicial.

A princípio, nossa comprensão é limitada e ao longo do filme ela é expandida para o completo entendimento do que estava acontecendo, afinal, quando o filme se iniciou. Eu gosto deste estilo.




J. J. Abrams, a mente por trás de Lost

Imagem: http://scifipulse.net/wp-content/uploads/2008/07/jj-abrams.jpg


Pra terminar com meus exemplos, temos J.J. Abrams. Ele é diretor do último Jornada nas Estrelas, Missão Impossível III e a mente por trás de Lost.

Em Star Trek, ele não se vale tanto deste recursos de narração não linear. Mas seleciona muito bem eventos da infância e adolescência do futuro Capitão Kirk e Spok para nos permitir compreender as motivações por trás das atitudes destes personagens quando adultos e a ação ganhar vigor ao longo do filme. Pra mim, esse filme é incrível. E, apesar de se tratar uma ficção científica, traz muitos elementos pertinentes a todos nós. Por exemplo, a essência da liderança.

Mas o melhor exemplo de Abrams é Lost. para quem nunca assistiu a série e deseja compreender melhor o que eu estou falando fica a lição de casa. Assista às 6 temporadas. Lost é praticamente um tratado (não encontro palavra melhor) ou uma experiência em linguagem entrecortada.

Os eventos começam no presente. Somos apresentados ás vítimas de um acidente aéreo que caírem em uma misteriosa ilha do Pacífico. Então, em cada episódio, o foco cai sobre determinado personagem que possui certas atitudes que vamos compreendendo através de flashbacks que revelam seus segredos e passado.

Mas o melhor ocorre em uma das temporadas seguintes. Além dos flashbacks, os criadores de Lost passam a narrar também flashfowards!!! Ou seja, somos apresentados a eventos do futuro! Assim, além dos eventos principais que se desenrolam no presente, entendemos as ações dos personagens através da apresentação de eventos de seu passado e ficamos sabendo aos poucos de seu futuro (inclusive se ele irá morrer ou não!).

Nesse sentido, Lost é uma experiência única e inovadora porque subverte até mesmo a narração não linear. Lost nos apresenta um mosaico. Passado, presente e futuro. A princípio peças desconexas que ao longo da narrativa se encaixam com perfeição. Trabalho de mestre.

É isso aí, galera. Para quem curte escrever ou dicas sobre escrita, espero que esse texto tenha inspirado a todos a escrever mais ou assistir a filmes com os olhares mais treinados e atentos!